i probably won't remember this.
i never do and yet it is all mine.
it is all me.
i feel like a ghost haunting my own lige. i feel inadequate to the degree of impossibility.
how can there ever be such a weirdly shaped-person. i fit
n o w h e r e
(fast)
i have so much. how come nothing works?
if i am a puzzle-solver the picture i try putting together makes absolutely no sense.
if i am the puzzle i keep hoping to be made hole, impaciently i realoze, in a blow of surprise, that yet another big part is missing
if i am the puzzle-piece i simply cannot wait to be founf and placed in a place that not only was hans-made for me but also is finally complete with my addition.
you see, regardless of your seat in the game a dillema awaits to perpetuate confusionand postpone
joy
and how is one supposed to stand
not just gazing at the abyss but
fucking swimming in it?
there's no answer to the cries for help.
the desperation is complete.
and whatever is left of you will keep on wandering around,
always in search for home.


*
você não sabia? o coração é a única parte do corpo humano que cresce de novo que nem rabo de
lagartixa.
da primeira vez que entreguei meu coração a alguém, eu nem percebi como meu músculo atrofiado
estava se enchendo de sangue e expandindo, tomando cada vez mais lugar no meu peito. quando ele
estava maduro, prestes a estragar, eu arranquei e dei pra você em segredo. e você foi embora sem
perceber que tinha levado ele junto. ele ficou esquecido em algum bolso da sua mochila. eu conseguia
sentir ele ainda batendo, lutando pra viver perto de ti. mas você não. (...)
é indeterminado o período necessário para que cresça de volta. fica a critério do poder de regeneração
individual.
(...)
um coração novo, e como tudo na gênesis, anseia pela brincadeira que leva à vida. e brincar, brinquei.
vivi meu milagre invisível, com as glórias e maldições que ele possibilitava. sabia que o lúdico era o
máximo que ia conseguir por um tempo, mas também tinha fome. de ser tocado novamente. de se sentir
extra corpóreo. mal nasceu e já queria voar.
(...)
eu queria que a brincadeira crescesse e tomasse corpo, mas ele preferiu fazer castelos de areia que o
mar ou o vento iam levar logo mais. me retraí violentamente e fui. levando comigo a fome que agora
parecia mais agitada e inconformada com a espera e a decepção do que antes. (...)
eu não te esperava mais do que tu me esperava e desde o momento que te vi, eu soube. senti uma
estranha calmaria elétrica. olhar nos seus olhos quando não podíamos dizer nada era como entrar
numa casa que eu sempre soube que era minha. eu me entreguei. não inteira e não por completo, de
uma vez. eu esperei duas vezes. e aí eu era sua. você me transbordou inteira, o som dentro de mim era
tão vigoroso que eu podia ouvir nos meus ouvidos quando andava até você. esse era o meu amor.
(...)
por mais que meu coração quisesse pular do meu peito até você, nós dois
sabíamos que ele tinha que ficar comigo. me atentei muito a isso e te dei tudo que era fruto dele. e por
um tempo foi suficiente te alimentar das minhas maçãs. por um tempo eu não conseguia imaginar outro
tipo de vida que não a nossa. parecia o sonho mais perfeito que não podia nem ter sido criado. e talvez
pelo eterno zumbido de alegria na minha cabeça, que você me dava, eu não ouvi os trovões. e de
repente nenhuma fruta, pra ti, parecia mais tão doce. não importava a quantidade, você nunca estava
saciado. e eu comecei a perceber os olhares sorrateiros, de quem planeja ultrapassar um limite que
sabe que não deve, mas me julguei experiente e ágil demais pra cair em outra armadilha. e eu desviei
de muitas. porque não via que o perigo não estava nelas, era você. e um dia, quando eu menos
esperava, você abriu meu peito e pegou o que eu nunca quis te dar.
(...)
mais uma vez na tentativa de sobreviver, me finjo de morta pra saber se é seguro fugir. e quando fujo,
sinto o que falta de mim, que foi arrancado. sinto o órgão fantasma me mantendo viva.
é indeterminado o período necessário para que cresça de volta. fica a critério do poder de regeneração
individual.


*
projeto de cura 3.0 quando o

2.0 não tinha nem acabado
ainda quero ser você
por favor
por alguma coisa nova e brilhante
por favor.


*
pensando en la inmortalidad del cangrejo
nana, don't worry - it's not in your head, it's in the air
it's the air, in minuscule and invisible particles, being pushed by your nostrils, shoved down by your air
pipes and finally crushed and dematerialised by your lungs, that is confusing and killing you at each
rapid, superficial breath you take
you don't even notice you're poisoning yourself everyday, every hour, every moment by breathing
and it's that poison that's making you see those who aren't here. they're also only in the air, fugitives of
reality and tangible matter. the same air that carries the sound waves that allow you to hear whispers
from the beyond but not your son's voice.
the oxygen coming inside of you is destroying every single one of your cells through a vile chemical
attack called oxidation.
oh nana if only you could stop inviting and gasping for the poison to come in, maybe your head would
finally be clear again, as it once were.
maybe if we washed your brain on water all that makes you unsound and powerless would be carried
away by the stream
nana, I wish you, and I, could stop feeding life with blows of death


*
eu vou botar áudio em nossas juntas. testando o eco, triste e vazio dessas páginas em branco. tentando respirar a fumaça do papel que pegou fogo com seus nomes no jardim. tão bom seria se eu pudesse te desmaterializar com a mesma facilidade que eu faço com a celulose. se te apagar do mundo te apagasse de dentro de mim, todo o brilho e esplendor de ver o novo e o familiar. usar as lágrimas evaporadas pra te salgar na terra. a caverna mágica dos meus sonhos guarda você. amor que é luz não consegue alcançar. o tanto que eu te amei ficou perdido em algum lugar. e eu quero enterrar esse tesouro pra nunca mais achar. porque te olhar e ver tudo de horrível que tu me fez passar ainda é uma tortura inominável.


*
quero ser asas de chumbo
[12:01, 12/22/2020] stéfane: sabe 1 que eu tenho muito
[12:01, 12/22/2020] stéfane: dando entrevista
[12:01, 12/22/2020] stéfane: kkkkkkkk
[12:01, 12/22/2020] stéfane: eu adoro o conceito de entrevista
[12:02, 12/22/2020] stéfane: mas tipo aquelas que eles te perguntam coisas muito profundas
[12:02, 12/22/2020] stéfane: e vc fica lá monologando por séculos
[12:03, 12/22/2020] stéfane: ultimamente também tava até de falar isso com a Ana um que eu tenho estado muito é como se eu tivesse encontrado um cara que fosse minha alma gêmea, mas não é romântico
[12:03, 12/22/2020] stéfane: a gente dorme pelado junto mas o toque não tem nada de sexual
[12:04, 12/22/2020] stéfane: e ambos ainda querem parceiros românticos mas aí todo mundo que entra nesse lugar fica ameaçado ou confuso pq não entende esse relacionamento
[12:04, 12/22/2020] stéfane: totalmente baseado no the dreamers do bertolucci
[12:04, 12/22/2020] stéfane: qkshkadbskdbskdbwksb
[12:04, 12/22/2020] stéfane: eu penso muito nisso......


*
pensando en la imortalidad del

cangrejo
mas eu posso ser só a louca que não fala nada com nada. mulher já sou, pra ser histérica é tudo
questão de um orgasmo a menos.


*
todos meus amores são hemofílicos.
a fragilidade tamanha de nunca
poder sair ao mundo. dor. acima de tudo, dor. a bomba relógio de cristal. uma necessidade de controle
tal que desafia a matéria. e a procissão funerária que vem de crise em crise. quantas vezes chorarei sua
morte enquanto está vivo?


*
as construções são o que você sabe que devia fazer e não fez ainda.
quer fazer.
tem planos de fazer.
tem planos de querer fazer.
a água é o que vai te devorar se não fizer bem feito. corrói por dentro e destrói a fundação.
e as britadeiras?
ora, se as pedras choram ao serem remoldadas, quem sou eu pra não ir ao baile?
mas o que? ah, é. o alarme tocou.
a vida chamou, hora de se apresentar e talvez tremor foi o jeito que o medo achou de ser visto.


*
morta morta morta morta morta morta morta morta morta morta morta morta morta morta morta morta
morta morta morta morta morta morta morta morta morta morta morta morta morta morta morta viva
morta morta morta morta morta morta morta morta limbo

*